Comunicação é coisa de menina?

Comunicação é coisa de menina?

Suzel Figueiredo

Claro que não! Nem de menina, nem de menino. É assunto para profissionais, para especialistas, para gente preparada. Somos multifacetados e adoramos a multidisciplinariedade. Entre nós encontramos jornalistas, relações públicas, publicitários, designers. Somos bem formados, pós-graduados, mestres e doutores. Também acolhemos na área colegas administradores, psicólogos, sociólogos, profissionais das letras, filósofos e quem mais quiser se aventurar nos desafios da comunicação.

Mesmo com tanta qualificação, tenho visto com alguma frequência, particularmente na Comunicação Interna, um tratamento pouco lisonjeiro com as “meninas da Comunicação”. Depois dos 30 anos soa como elogio. Antes dos 30, sinaliza pouca credibilidade. E sempre me pergunto porque não se utilizam os termos “meninos do financeiro” ou os “garotos do jurídico”. O que querem dizer quando se referem às “meninas da Comunicação”?

Quando eu era menina, na aula de educação física do colégio, sempre tinha alguém que era café com leite. Aquela criança mais frágil, mais novinha, que não acompanhava os jogos das crianças mais espertas. Pois bem, as vezes fico com a sensação de que a área de Comunicação Interna é tratada, em algumas empresas, como café com leite.

Se queremos sentar junto com os adultos, é preciso falar a língua dos negócios. Planejamento, estratégia, metas, performance, indicadores fazem parte do discurso que se espera de um profissional de gestão. Seja ele um gestor da produção, da logística ou da comunicação.

E qual é o desejo do profissional de Comunicação? Ser reconhecido como estratégico, ter valor na empresa e impactar no resultado do negócio. Lindo discurso. Mas muitas vezes, o comunicador não entrega. Por que ainda continua preocupado com os canais, com as newsletters, com os eventos, com as tais das ferramentas.

Aliás já percebeu que as ferramentas dominaram o mundo da comunicação? Elas são soberanas e se sobrepõe à inteligência do profissional. Num mundo de ferramentas, aplicativos, canais, matrizes, o pensar e a reflexão realmente ficaram em plano secundário.

Tenho visto comunicadores como mestres de obras, subindo uma parede ali, fazendo um acabamento acolá, mas sem ter a total dimensão da obra que está construindo.

Sonho com profissionais de comunicação que sejam arquitetos, para projetar novas soluções. Ou engenheiros, que estruturem pontes para aproximar públicos. Talvez médicos, que façam bons diagnósticos. Ou ainda administradores, que gerenciam projetos em busca de resultados.

Está na hora de parar com o mimimi, de reclamar que as lideranças não valorizam a área. É preciso arregaçar as mangas e começar a influenciar os stakeholders, contribuir para a produtividade, ajudar a reduzir as despesas, ampliar as vendas e impactar a margem de EBITDA.

E isso, definitivamente, não é coisa de menina, nem de menino. É conversa de gente grande.