Comunicação Interna na pandemia

Comunicação Interna na pandemia

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Informações a respeito de descobertas científicas, sobre o comportamento do vírus, maneira de se reconhecer os sintomas, regras de distanciamento e isolamento social. Na TV, no rádio, nos lembretes colados na parede dos hospitais, no letreiro nas grandes avenidas e marginais, na caixa de emails e no Whatsapp. Tudo isso chegou até você graças a um profissional de Comunicação. 

Dentre as tantas aprendizagens que a pandemia nos está proporcionando, o reconhecimento do papel do profissional de Comunicação é uma das mais importantes. Frente ao desafio de se compreender esse contexto, uma comunicação clara e objetiva tem sido imprescindível para darmos o próximo passo. E não foi diferente no ambiente corporativo. Com tantos desafios postos, como garantir a produtividade, segurança, bem estar e conexão dos profissionais em tempos de tantas incertezas e aflições? 

A Comunicação Interna tem sido fundamental para desenvolver estratégias que consigam manter firme o elo entre cada um dos profissionais e as empresas. Se perguntássemos ao profissional de CI com qual frequência ele se sentava na mesa da presidência há 6 meses, certamente, a maior parte responderia “baixa”. Em tempos de pandemia, no entanto, esses profissionais nunca foram tão valorizados e incluídos nas prioridades das empresas de diferentes ramos espalhadas pelo país. 

Apesar de necessário e recomendado pela OMS, não foram todos os trabalhadores que tiveram a oportunidade de ter seu cotidiano de trabalho transferido às suas casas. Muitos tiveram que manter sua circulação pela cidade com destino aos seus trabalhos.

Segundo a pesquisa que realizamos, em Junho, com 1004 trabalhadores de empresas de diferentes portes no Brasil, apenas 53,8 % pôde realizar seu trabalho em home office. O perfil desses trabalhadores está diretamente relacionado à cargos de gestão e administração e a profissionais com maior escolaridade, e, portanto, maior renda mensal. 

Por outro lado, os trabalhadores que tiveram que manter suas atividades presencialmente, e, logo, seguirem expostos ao vírus, recebem menores salários e têm escolaridade, na maior parte dos casos, menos desenvolvida.

E então, nos perguntamos como, em tempos de pandemia, comunicar a todos estes diferentes perfis as informações necessárias?

Mais uma vez, fica claro que em empresas que contam com áreas de Comunicação Interna estruturadas, as informações chegam de maneira mais assertiva e ampla seja por email, publicações internas, aplicativos próprios e até mesmo Whatsapp. 

Whatsapp? Whatsapp! Em tempos de pandemia até a tão corporativamente rejeitada ferramenta ganhou espaço no dia a dia dos colaboradores das mais diferentes áreas. O aplicativo, apesar de não homologado, tem sido uma excelente ferramenta para compartilhar informações com agilidade e alcance e auxiliar na fluidez e assertividade das informações. A ferramenta foi eleita a preferida entre os colaboradores entrevistados na pesquisa, sendo a mais escolhida em 38,7% dos casos. Cibele Silva, responsável pela área de CI do Assaí Atacadista, comentou um pouco sobre a inserção da ferramenta no cotidiano corporativo na última live realizada pela Ideafix, que contou também com a presença de Eliane Uchoa, responsável pela CI da Cargill.

“Antes as pessoas pediam uma versão para Whatsapp das informações para compartilhar com as suas equipes e a gente dizia que aquele não era um canal formal e pedíamos que eles utilizassem os canais oficiais da empresa. Hoje a gente está mandando as informações para o grupo de líderes e eles cascateiam pelo Whatsapp, e isso está funcionando que é um espetáculo. Às vezes 5 minutos depois que eu disparei já tem gente agradecendo e comentando aquela informação.”

Logo em seguida, Suzel Figueiredo nos lembrou que a cada ano fica mais claro que, mesmo com o uso de meios efetivos de comunicação, sem a presença e posicionamento dos líderes essa comunicação não acontece. 

Segundo os dados da pesquisa, os líderes têm cumprido seu papel e 75,1 % dos entrevistados dizem que eles não só têm comunicado de maneira efetiva, como têm oferecido as informações necessárias relacionadas à pandemia. Há, no entanto, uma diferença que deve ser considerada com atenção: a parcela de trabalhadores que diz não estar recebendo informações aumenta consideravelmente quando selecionados apenas os trabalhadores que estão operando presencialmente. Dos 1004 colaboradores, 19, 7% acredita que a empresa não está divulgando estas informações e, quando selecionados apenas os entrevistados que estão trabalhando presencialmente, este número sobe para 26%, o que faz desse público o mais exposto ao vírus e o que se sente menos amparado pelas empresas que trabalham.

Os números e relatos mostram impactos positivos quando problematizamos a ação de comunicação das empresas, e é interessante perceber como as áreas têm se articulado para realizar um trabalho mais humano em que cada profissional é considerado e valorizado. Por isso, é importante que as empresas estejam atentas ao trabalho de todos que fazem parte da sua cadeia produtiva, olhando também os públicos que apresentam maior insatisfação com o seu trabalho de comunicação, considerando-os de igual importância e se abrindo a escuta. Nesses tempos tão incertos, a pandemia nos faz recordar que criar esta ponte não só gera um melhor clima e produtividade como abre espaço à um lugar de acolhimento e cuidado. Não nos esqueçamos, a Comunicação é uma ciência humana.