Falando em diversidade, que tal incluir os terceiros?

Falando em diversidade, que tal incluir os terceiros?

Suzel Figueiredo

Estamos assistindo a um movimento muito importante de empresas na questão da Diversidade & Inclusão. Já são muitos os avanços em programas de gênero, de raça, de pessoas com deficiência e LGBTI+. Juntas, as empresas estão trabalhando para minimizar as injustiças históricas que foram cometidas contra diversos perfis de trabalhadores e cidadãos. Toda vez que algo positivo nos chama a atenção, penso que é uma oportunidade de subir a régua para outras atitudes das empresas também.

Há mais de 20 anos tenho o privilégio de coordenar pesquisas de Comunicação Interna com funcionários para grandes organizações globais, do ramo industrial, de varejo, da prestação de serviços. Se minha memória não me trai, em apenas dois casos, as empresas decidiram incluir a opinião dos terceiros.

As justificativas que recebemos de porquê não pesquisar os terceiros são sempre as mesmas: o jurídico considera que não se deve correr o risco de caracterizar vínculo trabalhista. Soa estranho, bem estranho. Na maioria dos casos os terceiros tem email da empresa, trabalham lado a lado com outros funcionários, participam de reuniões de projetos. E na hora da pesquisa de Comunicação ou Engajamento, eles não existem.

Muitas vezes são os terceiros que falam com os clientes no call center, que estão na linha de frente da operação, que apresentam a empresa na comunidade e nas redes sociais. Para a empresa esses profissionais são terceiros, mas para os outros carregam a marca na sua experiência cotidiana e conhecem a empresa pelo lado de dentro.

Espero que, em breve, embalados pelo movimento de Diversidade & Inclusão, as empresas reflitam sobre essa prática e possam fazer uma escuta inclusiva e com certeza, mais rica e relevante.