Propósito: tempo de excesso, vazio e conexões

Propósito: tempo de excesso, vazio e conexões

Suzel Figueiredo

Outro dia tive o privilégio de ouvir a Monja Cohen, num dia chuvoso, sala cheia, me equilibrando num moderno banco de papelão. Sai de lá profundamente impactada por uma história, relatada por ela, que resumo aqui.

Monja Coen recebeu um convite para falar com influenciadores digitais. Muito jovens, segundo ela. Auditório lotado, todos conectados, com acesso ao mundo. A juventude tecnológica na velocidade da luz, nos blogs, no twitter, nos seus canais de Youtube. E eis que um garoto lhe pergunta:

“Monja, eu tenho mais de 1 milhão de seguidores, já sou rico, sou famoso, mas sinto um vazio. O que é?”

Ela diz, abrindo um sorriso largo: “é falta de propósito”. A resposta ficou reverberando dentro de mim, como um grande sino que depois das badaladas continua ecoando. Tempos difíceis esses de tanta informação, tanta alternativa, tantos caminhos, tanta dúvida. E ao mesmo tempo tanta falta. Falta de realização, de envolvimento, de sentimento, de respeito.

O campo de atuação dos comunicadores nos permite falar de propósito. Principalmente de propósitos organizacionais. Fico me perguntando se temos a real dimensão da importância desse trabalho. Nós, profissionais de comunicação, prometemos, em nome de terceiros, tanta coisa que a gente, muitas vezes, nem tem certeza de como vai entregar.

É uma reflexão importante que devemos fazer. Nós também nos comprometemos quando criamos, quando fazemos projetos, campanhas, ações de relacionamento e experiências. Nós somos porta-vozes! E isso significa que a gente assina embaixo. Quando dá certo, a gente pode até ganhar prêmio. E quando não dá?

Difícil missão essa nossa. Nem sempre a gente consegue um bom alinhamento entre o que acreditamos e o que produzimos profissionalmente. Esse é um paradoxo cada vez mais presente em nossa vida.

Propósito pode ser a chave para um youtuber se sentir pleno. Quando trabalhamos em uma organização e o propósito dela “dá match” com o nosso, a vida no trabalho ganha outro sentido. 

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