Será que é Marketing ou Comunicação?

Será que é Marketing ou Comunicação?

Suzel Figueiredo

É natural que a gente queira dar nomes às coisas, defini-las e de alguma maneira, encaixotá-las. Mas a definição pode apequenar a atuação do objeto. Veja bem. Uma mesa é apenas uma mesa. Só que não! Às vezes pode ser um banco, uma escrivaninha. Talvez uma escada? Quem sabe um criado-mudo?

Uma palavra limita, restringe, diminui. Como você definiria um profissional de comunicação corporativa atualmente? E um profissional de marketing? Se a gente for olhar a definição acadêmica, vai descobrir que o descritivo não comporta. O seu dia a dia é diferente. Você também é administrador, ensaia uns passinhos nas finanças, é gestor de recursos humanos, cuida um pouco da logística. Pois então, será que é tão importante definir?

Analisei 100 empresas, listadas entre as maiores do Brasil. Encontrei mais de 30 definições distintas para o que parece, aos olhos dos stakeholders, exatamente a mesma coisa.

Para ficar apenas no campo da diretoria, encontrei diretores de marketing, comunicação e marketing, comunicação corporativa, assuntos institucionais, conteúdo e mídia, comunicação institucional, marketing institucional, relações institucionais e marketing, marketing de relacionamento etc.

Entre os profissionais vi administradores, engenheiros, relações públicas, economistas, jornalistas, publicitários, advogados. Daí fiquei pensando se o nome da área é realmente importante. Penso que não importa nem um pouco. Enquanto a gente discute, a alta liderança reclama, a concorrência cresce e as oportunidades passam.

O que dá relevância ao nosso trabalho é entender o público, desenhar formas de acessá-lo com qualidade e eficácia para alcançar o objetivo da empresa. Seja comercial ou institucional.
Lembrando que públicos não têm dono, a gente pode falar com eles de acordo com a mensagem. Uma hora pode ser um consumidor. Outra pode ser cidadão. Às vezes é um funcionário e em alguns casos, o próprio acionista da organização. E pode, inclusive, ser tudo ao mesmo tempo agora.

Assim como a mesa. Ora é banquinho e em outros dias se faz de escrivaninha. E viva a diversidade das coisas, das áreas, dos públicos e dos profissionais.